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Fuja do cheiro de vinagre! 5 formas de reconhecer uma cachaça de qualidade

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Luciana Mastrorosa

24/05/2017 12h42

A cachaça é a bebida brasileira por excelência, aquela que não falta na nossa mesa. Consumida pura ou em drinques, como a caipirinha, em geral é comercializada de duas formas: artesanal ou industrializada. De norte a sul do país, é possível encontrar qualidades muito variadas de cachaça, desde aquelas finíssimas, produzidas com extremo cuidado, a outras que podem até fazer mal à saúde.

Se você curte essa bebida, fique de olho nas dicas do especialista Leandro Dias. Ele é co-fundador da Escola da Cachaça, plataforma virtual que oferece cursos completos para quem quer se aprofundar no assunto. Apreciador e produtor dessa bebida, Leandro decidiu abrir a escola ao se deparar com a falta de informação sobre o tema, mesmo sendo a cachaça um produto tipicamente brasileiro. Além dos cursos, o site oferece o "Guia Fantástico Universo da Cachaça", disponível gratuitamente para download em pdf (clique aqui para acessar).

A seguir, confira as cinco dicas do profissional para identificar uma bebida de qualidade – sem cair em roubada:

Registro é fundamental
Leandro é taxativo quanto a isso: "toda boa cachaça tem que ter registro no MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento". Isso pode parecer óbvio, mas não é. Aquela cachaça vendida em garrafa pet na beira da estrada nem sempre é segura para a saúde. "O registro é uma garantia para o consumidor, pois indica que o alambique passa por fiscalizações". Esse número está impresso tanto no rótulo quanto no contra rótulo da garrafa, verifique. Isso não significa que cachaça artesanal seja ruim, pelo contrário! É uma delícia, cheia de aroma e sabor, se feita com cuidado e qualidade. Na dúvida, não custa checar como é produzida antes de levar várias para casa.

São tantas opções… Como escolher?
Uma vez checada a procedência, deve-se observar as condições da bebida. Para começar, preste atenção no líquido: não pode estar turvo ou esbranquiçado, nem conter qualquer tipo de impureza. Cachaça boa é perfeitamente transparente. Se estiver turva, isso pode indicar problemas de produção no alambique. A bebida tem que ser sempre cristalina.

Cheiro de acetona ou vinagre? Fuja!
O aroma é um dos atrativos de uma boa cachaça, e um dos primeiros itens que se deve observar. Uma bebida de qualidade não pode ter cheiro de acetona, borracha, tinta, verniz, muito menos de ovo podre ou vinagre. Eles indicam uma produção malfeita, seja na etapa da fermentação, seja na destilação ou no envelhecimento. O ideal é sentir aromas agradáveis logo que se abre a garrafa, como o da própria cana-de-açúcar, frutados, florais, baunilha, canela… "Se sentir cheiro ruim, jogue fora", recomenda o especialista.

Acidez zero
Geralmente, o primeiro gole que se dá numa cachaça indica para o organismo que você está ingerindo uma bebida com alto teor alcoólico. Ou seja, o corpo sente aquele baque. Deixe-o se acostumar e, no segundo gole, comece a avaliação. Atenção: a cachaça não deve descer queimando a garganta. "Cachaça que queima o esôfago pode estar com algum problema de produção, não é adequada", diz Leandro. Outra coisa a se observar no paladar é a acidez. Uma boa cachaça tem que ser pouco ácida, ou seja, não pode fazer a boca salivar excessivamente, como aconteceria com um suco de limão. É uma bebida forte, mas não precisa (nem deve) ser desagradável na degustação.

Branca ou envelhecida?
A dúvida cruel de quem ama caipirinha: uso a cachaça branca ou a envelhecida? Qual a diferença entre elas? A envelhecida é melhor? Resposta do especialista: todas podem ser maravilhosas, tanto puras quanto em drinques. A diferença entre elas está na passagem ou não por madeira, e o tipo empregado para esse processo. A cachaça branca ou prata passa por madeira neutra (que agrega sabor, mas não cor) ou, simplesmente, não passa por madeira nenhuma. Já as envelhecidas repousam por um tempo mínimo em barris, que transmitem cor, aroma e sabor à bebida, conferindo tons dourados ou cor de caramelo. "Existem mais de 30 tipos de madeira possíveis para esse envelhecimento", diz Leandro. Para quem está começando e não está acostumado a beber cachaça, mas já aprecia uísque, o profissional indica provar as que são envelhecidas em carvalho. As que descansam em barris de amburana também são ótimas para começar. "É uma madeira brasileira espetacular, com aromas de canela e baunilha e sabor adocicado", diz Leandro. Ficou com água na boca, mas prefere cachaça branca? Escolha uma que passe por barris de amendoim-do-campo, uma das melhores madeiras neutras para essa função: mantém as notas básicas da cachaça e realça seu sabor natural.

Sobre a Autora

Luciana Mastrorosa é apaixonada por escrever, cozinhar e comer. Jornalista especializada em gastronomia e pesquisadora da área de alimentação, passou pelos principais veículos do país. Formada no Le Cordon Bleu Paris e Université de Reims Champagne-Ardenne, atualmente cursa o Mestrado em Nutrição Humana Aplicada, na Universidade de São Paulo. É autora do livro Pingado e Pão na Chapa - Histórias e Receitas de Café da Manhã (editora Memória Visual) e do e-book "Natal Feliz - 30 Receitas Incríveis para a Sua Ceia".

Sobre o Blog

Menu do Dia é o blog de culinária, receitas, gastronomia e nutrição, da jornalista e pesquisadora Luciana Mastrorosa. Aqui, você vai encontrar notícias, reflexões, receitas, degustações e muito mais sobre uma das melhores coisas da vida: comer.