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Vinho natural ou tradicional: qual o melhor para a saúde? E para a ressaca?

Luciana Mastrorosa

08/09/2018 04h00

Crédito: iStock

O vinho é uma das bebidas mais antigas da humanidade e seus benefícios para a saúde vêm sendo exaustivamente estudados pela ciência. Já se sabe que alguns componentes presentes na bebida, como o resveratrol, um poderoso antioxidante, contribuem para a saúde cardiovascular, desde que se mantenha a moderação no consumo, obviamente. Para se ter uma ideia, a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda ingerir apenas 30 g de álcool por dia. Uma taça de 100 ml de vinho, por exemplo, tem 12 g de álcool. Passar desse limite pode trazer danos a longo prazo.

Com o avanço na produção de vinho mundial, hoje em dia há diversos estilos dessa bebida no mercado. De um lado, os vinhos tradicionais, produzidos em larga escala e adicionados de conservantes, os chamados sulfitos, que ajudam a manter a bebida boa para consumo por mais tempo, mas podem causar alergias e dor de cabeça em pessoas sensíveis. De outro, aparecem os chamados vinhos naturais, elaborados com uvas orgânicas e com o uso de leveduras selvagens, respeitando-se o ciclo natural do vinho, com pouca ou nenhuma adição de conservante. Nessa mesma linha, entram também os biodinâmicos, que seguem os conceitos elaborados nas teorias antroposóficas de Rudolf Steiner, considerando elementos como o movimento dos astros, os dias da semana, etc., desde o cultivo até a elaboração da bebida. Nessa batalha de estilos, qual é o melhor para a saúde?

Ter menos ressaca é possível?

Todos os vinhos (principalmente os tintos) são ricos em compostos bioativos, como o resveratrol que citei lá em cima. Mas a tendência é que os naturais se destaquem em relação aos benefícios para o organismo. Ainda existem poucos estudos sobre esses tipos específicos de vinhos e sua interação com o organismo, mas só pelo fato de não terem conservantes nem outros aditivos, já saem em vantagem.

E isso se expressa também na hora da ressaca: a tendência é que causem menos desconforto no dia seguinte, se você ingeriu umas taças a mais. Isso ocorre porque os sulfitos presentes no vinho tradicional atrapalham a ação da glutationa, uma substância fundamental na eliminação de componentes tóxicos formados no metabolismo da bebida.

Então, um vinho produzido de maneira natural, sem adição de conservantes, poderia contribuir para haver, sim, menos ressaca, já que possuem zero sulfitos ou uma quantidade ínfima deles. É claro que esse não é o único fator envolvido nesse momento desagradável de quem passou do limite: a ingestão de álcool, por si só, desidrata o organismo, o que contribui para as famosas dores de cabeça, boca seca, náusea e todo o conjunto de sintomas da ressaca. Nesse caso, o vinho pode ser o mais natural possível e você, ainda assim, não se livrará dos sintomas no dia seguinte. Como sempre, moderação continua sendo a única forma de evitar, de fato, esse problema (e tomar muita água também ajuda).

Bomba de antioxidantes

A chef Lis Cereja, da Enoteca Saint Vin Saint, em São Paulo, é uma entusiasta dos vinhos naturais. Em seu restaurante, toda a carta é baseada nesse estilo da bebida, com exemplares orgânicos e biodinâmicos também. Além de contribuir para gerar menos ressaca, a chef destaca que os vinhos naturais possuem ainda uma vantagem adicional: são uma verdadeira bomba de antioxidantes.

Segundo estudo publicado no British Journal of Nutrition, em 2014, frutas cultivadas de maneira orgânica, ou seja, sem agrotóxicos, possuem um teor muito maior desses compostos bioativos. Isso se aplica também às uvas: as videiras, ao crescer sem o auxílio de defensivos agrícolas e outros aditivos, acabam lutando mais para resistir a pragas. E sua forma de se defender é, justamente, produzindo mais antioxidantes. Quanto mais desses compostos têm na bebida, maiores os efeitos benéficos dela para a saúde, como anti-inflamatórios e anti-envelhecimento. Ponto extra para os naturais! "É uma questão de bom senso. Se formos analisar, para obter os benefícios, o ideal seria beber o vinho de verdade, produzido sem outros elementos", diz a chef. "E como o vinho natural preserva a vida microbiana, é um produto que pode também aportar vantagens 'probióticas'", lembra ela.

A desvantagem é que os naturais são mais caros e produzidos em menor escala do que os tradicionais e, portanto, menos acessíveis para quem aprecia o vinho e deseja consumi-lo com moderação. Nesse caso, os tradicionais continuam sendo a melhor opção, desde que você não seja sensível aos sulfitos e, claro, beba com equilíbrio.

Você já provou vinhos naturais? O que achou? Me conta! Estou no Facebook e também no Instagram.

Sobre a Autora

Luciana Mastrorosa é apaixonada por escrever, cozinhar e comer. Jornalista especializada em gastronomia e pesquisadora da área de alimentação, passou pelos principais veículos do país. Formada no Le Cordon Bleu Paris e Université de Reims Champagne-Ardenne, atualmente cursa o Mestrado em Nutrição Humana Aplicada, na Universidade de São Paulo. É autora do livro Pingado e Pão na Chapa - Histórias e Receitas de Café da Manhã (editora Memória Visual) e do e-book "Natal Feliz - 30 Receitas Incríveis para a Sua Ceia".

Sobre o Blog

Menu do Dia é o blog de culinária, receitas, gastronomia e nutrição, da jornalista e pesquisadora Luciana Mastrorosa. Aqui, você vai encontrar notícias, reflexões, receitas, degustações e muito mais sobre uma das melhores coisas da vida: comer.