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Existe cápsula biodegradável para café espresso? Agora sim

Luciana Mastrorosa

14/10/2017 08h00

Orfeu aposta em cápsulas biodegradáveis que podem ser colocadas na composteira (foto: divulgação)

O mercado de cápsulas de café no Brasil é um negócio em expansão. O que começou por aqui com a chegada da Nespresso, em 2006, agora já conta com diversos fornecedores. Segundo pesquisa da Euromonitor contratada pela Abic (Associação Brasileira das Indústrias de Café) em 2015, espera-se que o consumo de cápsulas dobre até 2019 e triplique em valor até o mesmo período, atingindo 3 bilhões de reais. A maioria das marcas ainda recorre ao sistema de máquinas da gigante Nestlé para extrair o café, mas outras, como a Três Corações, investem em sistema próprio. Enquanto as cápsulas da Nespresso são de alumínio, a maioria das chamadas “compatíveis” são feitas de plástico. Ou seja, embora seja um sistema superprático no que diz respeito ao preparo do café, as cápsulas têm potencial para resultar em um impacto grande ambiental. São descartáveis e podem ser recicladas, mas nem todo mundo recicla suas cápsulas, e nem todas as cidades contam com um sistema eficiente para fazer isso. Assim, o que acaba ocorrendo é uma sobrecarga nos aterros sanitários.

Agora, uma marca brasileira, a Orfeu, sai na frente com uma solução inovadora: cápsulas biodegradáveis. A promessa é apostar cada vez mais na oferta de café de qualidade, sem desconsiderar a questão da sustentabilidade. Amanda Capucho, diretora geral da marca, conversou com o Menu do Dia para explicar como funciona esse novo sistema.

Seis meses em testes e fornecedor francês

Os cafés da Orfeu são 100% brasileiros, e a qualidade é um diferencial. Só utilizam grãos da espécie Arábica (que produz os cafés mais finos e aromáticos, se bem manejados do pé à xícara), cultivados, colhidos e cuidadosamente secos, torrados e moídos nas fazendas da marca, como a Sertãozinho, em Botelhos, Minas Gerais, e a Rainha, em São Sebastião da Grama, São Paulo – duas regiões propícias para o cultivo de cafés excepcionais. Assim, a preocupação com o invólucro é essencial, por isso foram seis meses de testes até fecharem com um fornecedor francês para suas novas cápsulas biodegradáveis. Amanda explica que a cápsula é feita de um tipo de bioplástico que começa a se decompor em temperaturas acima de 60°C. “É uma cápsula biodegradável e compostável. Se descartada no lixo orgânico que vai para compostagem, ela desaparece em cerca de quatro meses”, diz ela. O interessante é que funciona até em composteira caseira (menos os minhocários). Diferentemente das cápsulas comuns, em que o café usado deve ser separado do invólucro antes de direcionar os materiais para a reciclagem, com a cápsula bio tudo pode ser colocado junto no lixo orgânico. O café funciona como um “combustível” para a degradação do material, ajudando os micro-organismos nessa tarefa. Testei a nova cápsula em casa e o resultado foi bem satisfatório: a máquina funcionou normalmente. Agora preciso de uma composteira para fazer o teste também da decomposição!

Quando chega ao mercado

As cápsulas biodegradáveis da Orfeu serão comercializadas em toda a linha da marca a partir deste mês de outubro. Todas as embalagens serão identificadas com um selo. As antigas, feitas de plástico comum, não serão trocadas e continuam no mercado até acabar os lotes. Além de comercializar cafés em grãos (para quem tem moedor em casa) e moído, a linha de cápsulas oferece bebidas de vários tipos: orgânicas, suaves, intensas ou descafeinadas. Desde sua reformulação, a partir de 2016, a Orfeu também vem fazendo parceria com chefs brasileiros para lançar microlotes especiais. O que está sendo comercializado atualmente é o Beija-flor, desenvolvido em parceria com a chef Morena Leite, do restaurante Capim Santo (com unidades na capital paulista e em Trancoso, Bahia). Feito com grãos da variedade beija-flor, o café tem aromas de acerola e pitanga, bem tropical. Por enquanto, o preço das cápsulas biodegradáveis, mais caras que as convencionais, não está sendo repassado para o consumidor final. A caixa com 10 cápsulas custa R$ 19,90 para os cafés da linha permanente e R$ 22,90 para os de microlote. A Orfeu não tem loja própria, apenas a virtual, e seus produtos são comercializados também em grandes varejistas.

Sobre a Autora

Luciana Mastrorosa é apaixonada por escrever, cozinhar e comer. Jornalista especializada em gastronomia e pesquisadora da área de alimentação, passou pelos principais veículos do país. Formada no Le Cordon Bleu Paris e Université de Reims Champagne-Ardenne, atualmente cursa o Mestrado em Nutrição Humana Aplicada, na Universidade de São Paulo. É autora do livro Pingado e Pão na Chapa - Histórias e Receitas de Café da Manhã (editora Memória Visual) e do e-book "Natal Feliz - 30 Receitas Incríveis para a Sua Ceia".

Sobre o Blog

Menu do Dia é o blog de culinária, receitas, gastronomia e nutrição, da jornalista e pesquisadora Luciana Mastrorosa. Aqui, você vai encontrar notícias, reflexões, receitas, degustações e muito mais sobre uma das melhores coisas da vida: comer.

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