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Amamentação importa: veja por que faz bem e dicas para amamentar em paz

Luciana Mastrorosa

19/07/2018 04h00

Crédito: iStock

Já faz um bom tempo que o período da amamentação passou na minha vida. Meu parto foi bem difícil, mas tive muita sorte de conseguir amamentar minha filha por bastante tempo, sem grandes percalços. No entanto, sei que muitas mulheres não têm o mesmo sucesso, seja por situações intrínsecas a cada uma, seja por pressões, cansaço, estresse, enfim. Muitos fatores influenciam esse momento tão delicado da vida de uma mulher (e da família), mas o fato é: amamentar é uma das coisas mais importantes que você pode fazer por seus filhos.

Resolvi trazer este tema aqui ao Menu do Dia após ficar bastante chocada com a posição recente dos Estados Unidos em relação ao assunto. Basicamente, eles colocaram entraves para aprovar uma resolução (baseada em décadas de pesquisas) que afirma que o leite materno é o mais saudável para crianças, e que todos os países deveriam fazer um esforço para apoiar isso e limitar a comercialização enganosa dos substitutos do leite.

Os diplomatas norte-americanos ameaçaram ainda impor sanções comerciais aos países que dessem apoio à medida. Aparentemente, a oposição dos Estados Unidos foi motivada pelos interesses de fabricantes de leite em pó e alimentos para bebês. Isso é muito chocante porque parece (e é) um contrassenso: diversos estudos mundiais apontam cada vez mais que o leite materno é importantíssimo e definidor para a saúde dos bebês e seu bom desenvolvimento.

É claro que existem exceções, pois muitas crianças podem precisar de complemento ou de fórmulas específicas para cada caso. E isso não está errado, de forma alguma, que bom que existe tecnologia para isso. O errado, a meu ver, é tentar impedir uma recomendação que é boa para todos, globalmente, apenas por conta de interesses comerciais.

Por que amamentar faz bem

Por aqui, temos também as nossas próprias lutas. No nosso país, a nudez feminina é aceita como algo banal quando envolve algum aspecto de sensualidade, como no Carnaval. Mas amamentar em público ainda é tido como uma certa falta de pudor, por muita gente. Perdi a conta de vezes em que recebi olhares tortos na rua porque estava amamentando minha filha (a pior de todas foi numa praça de alimentação de shopping, me senti extremamente exposta e julgada).

Mesmo em casa, com os familiares, alguém sempre me perguntava se eu não queria “ficar mais à vontade” em outro cômodo quando chegava a hora de dar de mamar. Como alimentava em livre demanda e minha filha era muito chorona, ouvi também que ela sentia fome (não era verdade, ela engordava e crescia superbem, sempre com acompanhamento de sua pediatra) ou que estava “viciada” no meu leite. Se você amamenta crianças maiores, a situação se agrava, porque existe aquele mito de que criança com dentes não precisa mais de leite, só de comida. O que dizer?

É por isso que a gente precisa tanto de apoio para amamentar em paz, pelo tempo que for. O recomendado atualmente é a amamentação exclusiva até o bebê completar seis meses e, a partir daí, seguir oferecendo o leite materno, junto com a introdução da alimentação complementar, pelo menos até a criança completar dois anos (fiz um post sobre isso, veja aqui). Em abril, a Organização Mundial da Saúde (OMS), junto com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), lançou uma cartilha (você pode acessar aqui, em inglês) com 10 passos para amamentar com sucesso. O Universa fez uma matéria bacana repercutindo isso também.

Se você ainda é cético em relação ao assunto, veja estes dados impressionantes: segundo a ONU, se todos os bebês fossem amamentados nos dois primeiros, as vidas de mais de cinco mil crianças menores de cinco anos seriam salvas. Lembrando que estamos falando aqui de uma realidade global, com todas as suas imensas diferenças sociais e econômicas de país a país, sem mencionar as questões de gênero e o quanto isso pesa também.

Para buscar mais informações sobre o assunto, o site do Ministério da Saúde tem um documento bem completo menciona todos os benefícios do aleitamento materno para o bebê, como a proteção contra diarreias, infecções respiratórias e alergias, a diminuição no risco de hipertensão, colesterol alto e diabetes, além da redução na chance de desenvolvimento de obesidade. Fora que amamentar também ajuda a mãe a reduzir o excesso de peso mais rapidamente após o parto, auxiliando o útero a recuperar seu tamanho normal. Reduz ainda o risco de diabetes e de desenvolvimento de câncer de mama e de ovário, entre outros benefícios. Só vantagens!

Quero amamentar meus filhos, por onde começar?

Em primeiro lugar, confie. Em si mesma e no seu bebê. Procure ajuda ainda dentro da maternidade, e não saia de lá com dúvidas. Tive a sorte de receber apoio de enfermeiras muito cuidadosas ainda no hospital a respeito da posição correta para a pega. Porém, nos momentos em que achava que não ia dar conta (e foram muitos, acredite), eu recebi muito apoio em casa, da pediatra incrível da minha filha e também de grupos e empresas focados em amamentação. E isso foi fundamental para que eu pudesse seguir amamentando. Existem também a possibilidade de contar com bancos de leite humano, caso você precise, veja mais aqui. Neste link, você encontra também um Caderno de Atenção Básica de Saúde da Criança, focado em nutrição infantil (aleitamento materno e alimentação complementar).

Em segundo lugar, peça apoio da família e do(a) companheiro(a) para ajudar você a se alimentar bem enquanto cuida do seu bebê. Eu sei que cada realidade é diferente da outra, mas é importante não estar sozinha neste momento. É normal, nessa fase, a gente ficar completamente exaurida, sem dormir, cansada, sem chão, desnorteada, mesmo. Por isso, a mãe também precisa de cuidado e atenção e, principalmente, de paz, para conseguir produzir seu leite e amamentar a criança com tranquilidade e no seu tempo. Se puder ser em livre demanda, melhor, mas cada dupla mãe-bebê encontra uma forma que se encaixe em sua rotina. E isso vai mudando, também, à medida que a criança cresce e se desenvolve.

Se você é familiar, procure auxiliar no que a mãe e o pai precisarem, evitando opinar desnecessariamente. Fazer comida e ajudar com a louça é melhor do que palpitar se o bebê está engordando ou não só com o leite da mãe.

E se, ao amamentar, você tiver qualquer dor, se os seios estiverem rachados ou se sentir algum desconforto, vale conversar com profissionais especialistas em amamentação, que podem ir até a sua casa avaliar a pega, o fluxo de leite e a sua situação em particular. Vale olhar os sites Amigas do Peito e Como Amamentar, que reúnem materiais sobre grupos de apoio.

Por fim, uma mensagem de carinho para você que é mãe: aceite-se e não se sinta culpada. Um monte de gente vai apontar o dedo, julgar e dizer isso e aquilo. Confie na sua força e no seu julgamento. E não se sinta menos mãe se não pôde amamentar, você também é uma heroína que está lidando com um monte de coisas ao mesmo tempo. Se estiver amamentando, força e apoio. Nem sempre é fácil, mas vale a pena.

Você amamentou seus filhos? Por quanto tempo? Me conta! Estou no Facebook e também no Instagram.

Sobre a Autora

Luciana Mastrorosa é apaixonada por escrever, cozinhar e comer. Jornalista especializada em gastronomia e pesquisadora da área de alimentação, passou pelos principais veículos do país. Formada no Le Cordon Bleu Paris e Université de Reims Champagne-Ardenne, atualmente cursa o Mestrado em Nutrição Humana Aplicada, na Universidade de São Paulo. É autora do livro Pingado e Pão na Chapa - Histórias e Receitas de Café da Manhã (editora Memória Visual) e do e-book "Natal Feliz - 30 Receitas Incríveis para a Sua Ceia".

Sobre o Blog

Menu do Dia é o blog de culinária, receitas, gastronomia e nutrição, da jornalista e pesquisadora Luciana Mastrorosa. Aqui, você vai encontrar notícias, reflexões, receitas, degustações e muito mais sobre uma das melhores coisas da vida: comer.