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Pinhão, arroz doce, churrasco e outros quitutes para uma festa junina deliciosa

Luciana Mastrorosa

17/06/2017 04h00

Tem certas lembranças que a gente guarda para sempre. Algumas das minhas mais antigas (e felizes) memórias estão ligadas a festas juninas. Sim, esta época do ano mágica, inebriante, que todo mundo ama (se não ama, está mentindo). Tem quentão, vinho quente, pipoca, pinhão. Só de pinhão a gente já pode falar com muita alegria, imagine então uma festa em que tem mil derivados do milho e, ainda, churrasco? Perfeita.

As festas em homenagem a Santo Antonio, São João e São Pedro se estabeleceram por aqui em razão dos costumes portugueses, associados às nossas comidas da terra, como milho, mandioca e amendoim. Em suas origens, consta que essas festividades seriam ainda mais antigas, remontando a festivais pagãos da colheita, com muita comida, danças e fogueiras.

Hoje, são uma tradição das mais alegres no Brasil todo, com alguns dos maiores festejos concentrados no Nordeste, como em Caruaru, em Pernambuco, onde o São João é comemorado durante o mês todo, com muita comida boa e animação. Veja a programação completa aqui, eu ainda hei de conhecer!

Em São Paulo, os festejos são marcados pelas noites frias do comecinho de inverno, com música, dança de quadrilha e comidas típicas, como os bolos e doces de milho, o churrasco e as bebidas quentes. Selecionei algumas dessas gostosuras abaixo, com dicas simples para você também fazer uma festa junina na sua casa ou na sua rua:

Quentão e vinho quente
Só de escrever essas palavras, já sinto o cheirinho bom de cravo e canela que aromatizam essas bebidas típicas de junho. Quando está aquele frio impressionante e você acha que, naquela noite, vai até nevar, um copo de vinho quente ou quentão aquece até dizer chega. E fazer em casa é muito simples: você vai precisar da sua bebida favorita (vinho ou cachaça), açúcar, água e especiarias. A dica fundamental é: use vinho e cachaça de qualidade. Não precisa ser top de linha, muito menos cara, mas prefira algo que você beberia normalmente.

Canela e cravo são tradicionais para temperar. O vinho quente fica ótimo também com anis estrelado e frutas picadinhas, como maçã e abacaxi. Comece com a proporção de uma garrafa de vinho tinto seco, uma xícara de açúcar e duas de água e ajuste a doçura de acordo com seu gosto. Comece fervendo o açúcar com a água e as especiarias, formando uma calda. Depois, acrescente o vinho, as frutas picadas e ferva por alguns minutos, para apurar. Sirva bem quente.

O quentão não existe sem seu ingrediente principal: o gengibre fresco. Use algumas fatias sem casca (meio gengibre pequeno, fatiado, por exemplo). Não exagere na quantidade, senão ninguém consegue tomar (fica muito picante). Para 1 litro de cachaça, use a mesma medida de água, 2 xícaras de açúcar, 2 paus de canela, 10 cravos e casca de 1 laranja doce (não use a parte branca, senão amarga). A dica é caramelar um pouco o açúcar com as especiarias antes de adicionar a bebida e a água.

Pinhão e milho cozidos
Talvez o segredo para a festa junina ser tão boa é a simplicidade. No fim, as receitas são bem tranquilas de fazer, só precisa se dedicar um pouquinho. Aqui temos dois exemplos maravilhosos: pinhão e milho cozidos. Junho é época de ambos e, além do preço atraente, essas comidas são excelentes para petiscar. Tanto o pinhão quanto o milho podem ser cozidos na pressão, com água e um tantinho de sal. Se o milho for novo, 10 a 15 minutos são suficientes. O pinhão demora mais, chega a 1 hora no fogo. Pode cortar o bico dos pinhões ou não (eu prefiro cortar, mas vai do gosto). Sirva o milho e o pinhão ainda quentes. No milho, cabe ainda uma manteiga e uma pitada de sal por cima.

Espetinhos e sanduíche de linguiça (com ou sem vinagrete)
Churrasco é o tipo de coisa que só agrega valor à festa junina. A gente sabe que hoje em dia o céu é o limite em termos de comidas nas barraquinhas (na festona perto de casa tem até caldo verde e sardinhas portuguesas, e são uma delícia!). Mas o bom e velho churrasco é, sem dúvida, uma das estrelas da festa. Não precisa inventar muito: o sucesso está garantido com bifes e espetinhos de carne e de linguiça.

Não tem churrasqueira em casa? Grelhe os bifes e os espetos em uma chapa de ferro, em fogo bem alto (esqueça a fumaça ou ligue o exaustor no máximo). Se preferir, os espetinhos e as linguiças podem ir ao forno, de preferência numa grelha sobre uma assadeira. Não ficam iguais aos da churrasqueira, claro, mas cumprem bem o seu papel numa festa caseira. Capriche no vinagrete com cebola roxa picadinha, tomate, opcionalmente pimentão, e os temperos de sempre: sal, vinagre e azeite de boa qualidade. E não esqueça da farinha de mandioca e do pão fresquinho para acompanhar.

Canjica, arroz doce, doce de abóbora
Esta é a oportunidade para comer aqueles docinhos “de antigamente”, como canjica, arroz doce e doce de abóbora. O de abóbora molinho, para comer de colher, e o mais durinho, em formato de coração, são tradicionalíssimos nas mesas juninas, assim como o doce de batata doce (branca e roxa). Tanto o arroz quanto a canjica precisam ser cozidos antes, em água, até ficarem macios. Só depois é que são engrossados com leite, açúcar e os temperos. Um adendo: aqui a gente chama de canjica o milho branco feito com leite adoçado, mas em outros estados pode receber outros nomes e outros preparos.

Esses dois doces têm como base leite e açúcar. Podem ser incrementados com coco ralado (fresco é melhor), leite condensado, etc. Se não puder tomar leite de vaca, substitua pelo de amêndoas, de coco fresco ou de castanha de caju, fica ótimo. O açúcar vai do gosto de cada um, eu costumo começar com 4 a 6 colheres de sopa para cada 500 ml de líquido. Há quem prefira mais, então ajuste de acordo com seu paladar. Novamente, canela e cravo são clássicos para temperar, mas dá para inovar com sementinhas de cardamomo, erva-doce, anis-estrelado, etc. Atenção: a canjica precisa ficar 12 horas de molho antes do cozimento na pressão, porque o milho é seco e bem duro.

O arroz doce segue o mesmo princípio: cozinhe em água (duas de água para cada uma de arroz) até ficar macio e só depois misture leite, açúcar e especiarias e leve ao fogo até ficar cremoso. Dica adicional: se preferir um arroz doce marronzinho, caramelize o açúcar e só despeje o leite e os demais ingredientes depois disso, fica com uma cor (e sabor) incrível.

Para o doce de abóbora, use o legume descascado (eu prefiro a abóbora de pescoço), sem sementes, açúcar, água, especiarias e tempo: cozinhe em fogo brando até soltar ligeiramente do fundo da panela. Proporção: comece com meio quilo de açúcar para um quilo de abóbora descascada e sem sementes. Pode colocar coco ralado também.

Todos podem ser servidos quentes ou frios.

Sobre a Autora

Luciana Mastrorosa é apaixonada por escrever, cozinhar e comer. Jornalista especializada em gastronomia e pesquisadora da área de alimentação, passou pelos principais veículos do país. Formada no Le Cordon Bleu Paris e Université de Reims Champagne-Ardenne, atualmente cursa o Mestrado em Nutrição Humana Aplicada, na Universidade de São Paulo. É autora do livro Pingado e Pão na Chapa - Histórias e Receitas de Café da Manhã (editora Memória Visual) e do e-book "Natal Feliz - 30 Receitas Incríveis para a Sua Ceia".

Sobre o Blog

Menu do Dia é o blog de culinária, receitas, gastronomia e nutrição, da jornalista e pesquisadora Luciana Mastrorosa. Aqui, você vai encontrar notícias, reflexões, receitas, degustações e muito mais sobre uma das melhores coisas da vida: comer.

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