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Pouco espaço? Conheça as ervas fáceis de cultivar em vasos

Luciana Mastrorosa

18/10/2018 04h00

Crédito: iStock

Ervas frescas são deliciosas na cozinha e também uma forma inteligente de consumir diversos ativos benéficos para a saúde. Suas folhas pequenas e aromáticas são carregadas de antioxidantes, compostos fitoquímicos, vitaminas e minerais capazes de auxiliar a digestão, proteger contra doenças cardiovasculares e doenças crônicas não transmissíveis. Por seu sabor e aroma, também auxiliam quem tem hipertensão, pois acrescentam camadas de sabor extras aos pratos, contribuindo para um menor uso do sal de cozinha.

Porém, elas estragam em poucos dias depois da compra. É possível aumentar sua vida útil lavando-as cuidadosamente e secando bem as folhas antes de acondicioná-las em potes fechados, na geladeira. Também é possível colocá-las em vasos com água, como buquês, e deixá-las na cozinha, para que fiquem frescas por um pouco mais de tempo. Uma solução mais interessante para ter sempre ervas à sua disposição é plantá-las em vasos, na terra. Não é necessário ter grandes espaços para cultivar um vasinho, mas é necessário sol, cuidados e água.

Selecionei algumas ervas mais fáceis de cultivar em casa, com algumas dicas para você começar sua mini horta. Com um pouco de atenção e alguns cuidados básicos, elas duram muito mais tempo, você pode fazer mudas e ter sempre por perto ervas como manjericão, alecrim, salsa e cebolinha, algumas das mais versáteis para usar na cozinha.

Sol, água e um pouco de terra

Se você tem um grande quintal ou acesso direto à terra, fica muito mais fácil cultivar plantas de qualquer natureza, desde que sejam adaptadas ao clima onde você mora. Porém, mesmo no caso das pessoas que vivem em espaços menores, sem quintal ou jardim, ainda assim dá para cultivar ervinhas. Uma solução é colocar cada variedade num vaso diferente e pequeno. Você pode optar por latas de biscoito antigas, potes plásticos sem uso ou mesmo investir em vasos próprios para cultivar plantas, sejam eles de barro, de cerâmica ou de plástico. É ideal que os vasos contenham um furo no fundo, para drenar uma parte da água.

Se preferir, use também uma jardineira, onde você pode combinar tipos diferentes de ervas e temperos. O ideal é colocar duas espécies, no máximo, em cada jardineira. De preferência, aquelas que tenham as mesmas necessidades de água e sol, como manjericão e coentro, por exemplo. Outra sugestão é colocar os vasos em estrados verticais, presos à parede. Essa é uma forma de aproveitar o sol em espaços diminutos, além de ficar visualmente bonito.

Além do vaso, você vai precisar de terra adubada, que pode ser adquirida em lojas de jardinagem, algumas ferramentas pequenas para mexer na terra, luvas, se desejar, e um pouco de argila expandida para colocar no fundo do vaso e ajudar na drenagem. É importante que as plantas sejam regadas com frequência, mas sem deixar que a água se acumule no fundo do vaso. Costumo colocar os vasinhos sobre pratos recobertos de areia, também para evitar o acúmulo de água e o consequente desenvolvimento de mosquitos.

Para começar, escolha se prefere plantar as mudas direto na terra ou se quer usar sementes. Se começar do zero, faça uma sementeira usando caixas de ovos. Coloque um pouco de terra adubada em cada furo da caixa de ovos, coloque a semente e cubra com um pouco mais de terra. Use uma terra bem fofa, para permitir que os brotos alcancem a luz sem dificuldade. Então, regue, deixe num lugar com alguma insolação e, quando os brotos estiverem fortes, transfira-os para um vaso. Se usar mudas prontas, é só transferi-las com o torrão de terra para o vaso escolhido. Coloque um pouco de argila expandida no fundo, terra, a muda, e mais terra.

É importante também que as plantas peguem sol para seu bom desenvolvimento. Cada uma delas tem as suas exigências, mas algumas horas mínimas de sol são necessárias para todas. Se você não tem quintal, tente usar as sacadas e janelas para acomodar seus vasos (sempre com segurança, claro, especialmente em apartamentos). Uma janela aberta na cozinha, por exemplo, pode ser o lugar ideal para acomodar seus vasinhos, se bater bastante sol ali.

Para que as plantas se desenvolvam bem, periodicamente é necessário também acrescentar algum tipo de adubo. Uma solução caseira é acumular cascas e aparas de vegetais num pote, na geladeira. Quando estiver cheio, bata no liquidificador com água e coloque nos vasos. Evite apenas adicionar itens que tenham cheiro muito forte, como cascas de alho e de cebola, pois acaba deixando um odor desagradável. Costumo fazer isso uma vez por mês nas minhas plantas, uso também borra de café e restinhos de chá.

Variedades mais fáceis de plantar e de usar

O mais interessante de cultivar suas próprias ervas, temperos e outras plantas comestíveis é que você pode começar a experimentar e plantar tudo o que achar interessante. Inclusive as panc – plantas alimentícias não convencionais – como taioba, bertalha, etc. Tem uma batata brotando? Coloque-a debaixo da terra, num balde fundo cheio de furos, e veja o seu desenvolvimento. O mesmo pode ser feito com gengibre ou ainda batata-doce. Se tiver espaço para um abacateiro, coloque a semente num copo com água e espere brotar. Então, passe tudo para a terra e espere a magia acontecer.

Se a ideia for plantar ervas para temperar a comida, aposte naquelas que têm um uso mais comum e que não exigem tantos cuidados. Manjericão, alecrim, salsa, coentro, cebolinha, tomilho, orégano e sálvia são minhas favoritas. Lembrando que o importante é deixar que elas tenham acesso ao sol e regar diariamente, até a terra ficar úmida ao toque dos dedos, mas sem formar poça. E plantas como o alecrim e o  orégano não é preciso regar diariamente se a terra continuar úmida no dia seguinte. Falo um pouco mais de cada uma abaixo:

Crédito: iStock

Alecrim

É uma erva que dá pouco trabalho, pede pouca água e gosta de sol. Também é uma planta que, se bem cuidada, dura anos! E apenas uns poucos raminhos são suficientes para dar gosto e perfume a carne de porco, cordeiro e frango, principalmente. Em batatas e legumes assados também fica um sucesso. Além disso, o alecrim é uma excelente fonte de vitaminas como B1, B2, E, C, e folatos, minerais como potássio, cálcio, sódio e fósforo e diversos fitoquímicos.

Crédito: iStock

Manjericão

O manjericão não é tão longevo quanto o alecrim e precisa ser replantado periodicamente. Existem diversas variedades dessa planta, como o basílico (de folhas grandes e brilhantes, indicado para fazer molho pesto), o manjericão comum, de folhas bem mentoladas, e o de folhas roxas, delicado no paladar. Gosta de sol e de água. Quando as flores começarem a sair, corte-as, pois as folhas começam a perder o sabor. O bom é que dá para fazer mudas: arranque um pedaço do talo, delicadamente, deixando como que um fiozinho solto do talo. Coloque esse ramo num copo de água e deixe-o por alguns dias, até começar a soltar raízes brancas. Então, pode passar para o vaso e terá um novo manjericão. Em termos nutricionais, fornece vitaminas (A, E, C, e folatos), minerais (cálcio, potássio, fósforo e magnésio) e compostos como antocianinas, mentol, ácido cumárico, quercetina, taninos e catequina, todos benéficos para a saúde de uma maneira geral. É excelente para temperar pratos da cozinha italiana e para adicionar perfume e sabor a saladas.

Crédito: iStock

Coentro

Esta erva é polêmica. Muitos a apreciam com fervor, outros a odeiam em igual medida. Eu, particularmente, adoro seu sabor fresco, que combina demais com diversos pratos da culinária brasileira. Como disse antes, o coentro e o manjericão se dão bem no mesmo vaso, podem ser cultivados juntos e são plantas anuais, ou seja, precisam ser replantados periodicamente. O coentro gosta de se espalhar, assim como a salsa, então se você gosta bastante dessa erva, reserve um vaso um pouquinho maior para ela. Colha as folhas enquanto forem novas, bem verdes, descartando as amareladas. Além disso, o coentro adora sol e fica mais saboroso se for cultivado em espaços que peguem bastante sol o dia todo. Em termos de saúde, o coentro é considerado uma erva desintoxicante e protetora do coração e das doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. Para mim, fica melhor quando consumido cru, finalizando os pratos. No ceviche, por exemplo, é imprescindível.

Crédito: iStock

Salsa

Eis uma erva versátil e fácil de cultivar, exige poucos cuidados. Um pouco de sol e um pouco de água já fazem milagres. Tem um sabor refrescante e fica ótima tanto em preparos cozidos como adicionada na finalização dos pratos. É rica em vitamina A, E e C, além de cálcio, magnésio e potássio. É considerada diurética e, por ser rica em compostos fitoquímicos, como a quercetina, é antioxidante e ajuda a preservar a saúde do organismo como um todo. Fica uma delícia em todo tipo de preparo, de caldos e sopas a ensopados. Também é gostosa na salada e em patês frios, como a alichela, feita basicamente de salsa, azeite, alho, pimenta e aliche.

Crédito: iStock

Cebolinha

Muito usada na cozinha brasileira, a cebolinha também é bem fácil de cultivar. Quando comprar um maço, preserve as raízes, corte um pouco do talo e coloque as raízes na água. Depois que começarem a crescer, passe-as para a terra e cultive normalmente. Você verá que logo os talos voltam a crescer, e dá para ir cortando e usando conforme a necessidade. É uma erva bulbosa, ou seja, dá para usar tanto o caule verde quando a parte branca, mais grossa e firme. Pode ser usada em pratos quentes e frios e é fornece vitamina A, C, K e folatos, além de conter cálcio, potássio e fósforo.

Crédito: iStock

Orégano

Na nossa cozinha, é mais comum usarmos o orégano seco, barato e fácil de encontrar. Porém, o fresco tem um sabor delicado e um perfume agradável que combinam bem com frango, carne, molhos de tomate, sopas e caldos. Em termos de plantio, o orégano se dá bem em climas amenos e gosta de solos drenados, mas em geral é uma planta bem resistente, que se dá superbem em vasos. Como tem folhas miúdas, fica bem até em recipientes pequenos. E basta um raminho para temperar a comida. É considerada uma erva antibacteriana e anti-inflamatória, além de conter compostos fitoquímicos que agem como antioxidantes. Também é diurética e possui ação expectorante. Em termos nutricionais, contém vitaminas A, B3, E e folatos, cálcio, potássio, ferro, fósforo e magnésio).

Você costuma cultivar suas ervas? Quais prefere? Conte para mim! Estou no Facebook e também no Instagram.

Sobre a Autora

Luciana Mastrorosa é apaixonada por escrever, cozinhar e comer. Jornalista especializada em gastronomia e pesquisadora da área de alimentação, passou pelos principais veículos do país. Formada no Le Cordon Bleu Paris e Université de Reims Champagne-Ardenne, atualmente cursa o Mestrado em Nutrição Humana Aplicada, na Universidade de São Paulo. É autora do livro Pingado e Pão na Chapa - Histórias e Receitas de Café da Manhã (editora Memória Visual) e do e-book "Natal Feliz - 30 Receitas Incríveis para a Sua Ceia".

Sobre o Blog

Menu do Dia é o blog de culinária, receitas, gastronomia e nutrição, da jornalista e pesquisadora Luciana Mastrorosa. Aqui, você vai encontrar notícias, reflexões, receitas, degustações e muito mais sobre uma das melhores coisas da vida: comer.