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7 dicas práticas para fazer uma hortinha em casa

Luciana Mastrorosa

02/09/2017 08h00

Cenouras são boas para hortas caseiras (Foto: Divulgação)

Eu fui uma criança nos anos 1980 e, naquela época (pelo menos no bairro em que eu morava), as pessoas ainda viviam em casas e, em geral, tinham jardins. Rolavam umas trocas de mudas e sempre alguém aparecia com uma planta nova no pedaço. Em casa, tinha flores, samambaias e algumas ervinhas. Minha mãe teve a fase de plantar chuchu, parreiras e, recentemente, já em outra casa e outro bairro, investiu numa árvore de mexerica que não vingou muito. Tudo isso para dizer que, mesmo hoje, adulta e vivendo num apartamento pequeno e sem varanda, a vontade de plantar coisas ainda existe — e só aumenta.

Livro Minhas Plantas, de Carol Costa (foto: divulgação)

Muita gente me pergunta qual a forma mais fácil de conservar ervas frescas por mais tempo. E a resposta é sempre a mesma: compre um vasinho! Manjericão, sálvia, alecrim, tomilho, hortelã e outras ervas de cozinha duram muito mais se estiverem, claro, plantadas na terra e totalmente vivas.

Mas aí aparece aquela eterna dúvida: como cuidar? Quantas vezes regar? De quanto sol precisa? Para ajudar com essas questões, conversei com a jardineira Carol Costa. Ela criou o site Minhas Plantas, em 2012, e coloca lá um monte de dicas bacanas para quem quer cultivar o que quer que seja no espaço que tem disponível, um vasinho, um canteiro ou, glória suprema, um sítio.

Depois de escrever o livro "Horta em Vasos" (R$ 33, editora Matrix), agora está lançando seu segundo livro sobre o tema, dia 23 de setembro, em São Paulo, com o mesmo nome do site: "Minhas Plantas" (R$ 99,90, editora Paralela). De suculentas a flores e plantas comestíveis, Carol ensina a cuidar de cada uma delas e dá informações gerais e úteis sobre adubação, rega e poda.Em um bate-papo com o Menu do Dia, ela deu sete dicas práticas para cuidar da sua hortinha caseira. Mesmo que seja em vasos pequenos, debaixo de uma janela apertada de apartamento (como a minha):

1. Procure o lugar mais ensolarado da casa
Carol explica que 90% do fracasso das hortas caseiras é a incidência de luz. "Se não bater nem uma hora de sol, não vai funcionar", explica ela. Antes de começar, o ideal é mapear as condições de luz da sua casa ou apartamento. Quanto mais sol, maior o leque de plantas que dá para cultivar. O mínimo que a horta precisa é de 4 horas de sol por dia. "Se você não tem sol nenhum em casa e mesmo assim prefere comprar ervas em vasos, a dica é: consuma logo".

2. Evite colocar a planta num vaso sem furo
Vaso é uma coisa, cachepot é outra — o cachepot é um recipiente bonito que serve apenas para esconder o vaso original da planta, geralmente feioso. Mas a planta precisa de um recipiente que tenha abertura embaixo, para drenar um pouco a água. "Se plantar direto no cachepot, vai ter que ficar lidando com o excesso de água que inevitavelmente vai se acumular no fundo dele", diz Carol. "E, quanto mais água no pé da planta, mais chances de praga e doença."

3. Molhe em abundância, mesmo que a planta goste de pouca água
É melhor molhar bastante, poucas vezes por semana, encharcar mesmo, do que molhar um pouquinho todo dia. Mesmo para cactos e suculentas. "A gente ganha muito na jardinagem se imitar o habitat da planta", diz Carol. Alecrim, orégano, tomilho, lavanda e sálvia são todas ervas de clima mediterrâneo, ou seja, um clima que tem sol, mas é mais seco. Já manjericão, pimenta, hortelã, salsinha, coentro, tomate, são todas tropicais ou tropicalizadas, então precisam de mais umidade. Quanto mais larga a folha, mais água ela precisa e menos vento ela aguenta, como a bananeira. Folhas mais finas, com cara de agulha e muito perfumadas, como o alecrim e o tomilho, vão bem em solos mais secos. A sálvia, por exemplo, precisa de areia no solo e de 8 horas de sol. Se você não tem essas condições, o ideal é comer logo porque a planta não vai se adaptar.

Ervas na janela (foto: arquivo pessoal)

4. Aprenda a falar a língua da planta
Fique atento aos sinais que a planta dá. Folha enrugada ou murcha é um sinal clássico de desidratação, ou seja, precisa de água. Se a planta é naturalmente verde e está ficando amarelada, pode estar faltando adubo. E as plantas não negociam… Não adianta oferecer as condições que ela não gosta. Ela vai crescer no começo, mas depois vai definhar e morrer.

5. Adubar é importante
Os adubos podem ser de dois tipos: mineral, sintetizado em laboratório, cuja fonte é uma rocha, e orgânico, que vem de bicho ou de planta. O orgânico às vezes envolve vísceras de bicho, farinha de osso, farinha de peixe, etc. É sobra de matadouro. Quem come o adubo é o solo, os fungos, bactérias e pequenos insetos, que transformam nutrientes puros em comida para a planta. Por isso, pode usar qualquer tipo, o importante é adubar a planta regularmente, uma vez por mês está ótimo. A quantidade indicada varia de acordo com o fornecedor, então é importante ler a embalagem e segui-la corretamente. Uma opção é fazer seu adubo em casa: acumule num pote plástico pequeno, sem tampa, cascas de frutas, legumes, aparas vegetais, borra de café e cascas de ovo. Quando encher o pote, torre as cascas de ovo no forno e depois bata tudo no liquidificador com o que estava no potinho (adicione água). Você vai obter uma papa, esse é o adubo. Coloque no vaso e deixe a planta se alimentar. Os adubos líquidos, como aquele caldo que sai da composteira, são muito concentrados. É bom para usar na rega ou para borrifar as folhas. Aqui, a sugestão é diluir na proporção de 1:10 (uma parte de adubo e 10 de água).

6. Não enrole para colher
O alecrim, o louro e o capim limão são perenes, ou seja, podem durar anos e anos. Mas a maioria das plantas de horta tem ciclos de vida curto, são anuais. Então, o ideal é fazer a colheita logo. Caso contrário, vão seguir o seu ciclo e começar a produzir sementes. No caso de um manjericão, por exemplo, quando começam a aparecer as flores e sementes, as folhas ficam com menos sabor. E depois disso, o ciclo chega ao fim e a planta morre. Por isso, a dica é: se sua horta estiver linda e cheia de vida, aproveite, colha e curta ao máximo a temporada, pois inevitavelmente o ciclo chegará ao fim. Também pode podar suas ervas sem medo: elas ficam bem mais lindas e cheias de vida com a poda. Suas ervas começaram a ficar feias? Arranque e comece tudo de novo.

7. Muda ou semente?
Se a pessoa é apressada e insegura com jardinagem, melhor começar com mudas. Mas, quem quiser arriscar, pode fazer uma sementeira. O truque é colocar as plantas no lugar que vai semear — vaso, isopor, caixinha de ovo — molhar e cobrir com saco plástico transparente por mais ou menos uma semana. Só precisa molhar uma vez. À medida que as plantinhas crescem, você vai abrindo espaço no saco plástico e aí já pode molhar com mais frequência. Quando as mudas estiverem fortes, transplante-as para o vaso e comece a adubação.

Sobre a Autora

Luciana Mastrorosa é apaixonada por escrever, cozinhar e comer. Jornalista especializada em gastronomia e pesquisadora da área de alimentação, passou pelos principais veículos do país. Formada no Le Cordon Bleu Paris e Université de Reims Champagne-Ardenne, atualmente cursa o Mestrado em Nutrição Humana Aplicada, na Universidade de São Paulo. É autora do livro Pingado e Pão na Chapa - Histórias e Receitas de Café da Manhã (editora Memória Visual) e do e-book "Natal Feliz - 30 Receitas Incríveis para a Sua Ceia".

Sobre o Blog

Menu do Dia é o blog de culinária, receitas, gastronomia e nutrição, da jornalista e pesquisadora Luciana Mastrorosa. Aqui, você vai encontrar notícias, reflexões, receitas, degustações e muito mais sobre uma das melhores coisas da vida: comer.