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Vai, Brasil! Seleção de petiscos saudáveis para torcer com amigos na Copa

Luciana Mastrorosa

14/06/2018 08h00

Crédito: iStock

Hoje começa aquele momento mágico chamado Copa do Mundo. Você já deve estar com as cornetas, bandeiras e decoração verde-amarela a postos. Já comprou sua camisa oficial e o Canarinho Pistola de pelúcia (adoro) e não vê a hora de chamar todo mundo para vibrar com os jogos. No entanto, é importante pensar no que comer e beber para torcer junto e não levar um 7×1 na saúde, certo?

Aqueles salgadinhos industrializados gordurosos e cheios de sal fazem parte da maioria das mesas durante  a Copa, mas, para que fazer sempre a mesma coisa, se você pode inovar com snacks gostosos e saudáveis? Assim, dá para comemorar sem medo de passal mal no dia seguinte.

Ou, se não quiser radical, pode até compor a mesa com os industrializados, mas com um monte de belisquetes naturais juntos, já pensou nessa ideia? Para te ajudar, elaborei uma lista de ideias e sugestões para deixar sua Copa deliciosa! Vamos lá?

Seu amigo, o queijo

A primeira regra dos petiscos de Copa é que eles precisam ser isso mesmo: petiscos. É claro que dá para fazer algo mais substancioso, como churrasco e feijoada, mas, principalmente quando os jogos caem durante a semana, fica difícil preparar algo mais elaborado. Nesse caso, os snacks são perfeitos. Para começar, use e abuse dos queijos, de preferência nacionais e sem conservantes. Tem queijos brasileiros maravilhosos sendo preparados artesanalmente em todo o país. O mais fácil de achar é ainda o meia-cura mineiro, que fica uma delícia em cubinhos e temperado com bom azeite, pimenta calabresa e ervas secas ou frescas.

Também gosto de mozzarela bolinha, queijos frescos conservados em azeite, lascas de parmesão ou grana padano, espetos de queijo coalho com melaço de cana… Com um bom pão italiano, dá para começar bem. Se tiver uma boa ricota ou queijo cremoso de cabra, faça bolinhas com as mãos e recheie damascos ou passe as bolinhas na castanha de caju picadinha, sementes de papoula, ervas frescas ou secas picadas, gergelim…

Complemente os queijos com azeitonas de boa qualidade (prefira as sem conservantes e com teor de sal aceitável, nada excessivo) temperadas por você com azeite, especiarias e ervas, ovinhos de codorna cozidos e descascados, ótimos para comer com as mãos e também picles artesanais, como pepininhos, cenouras e tremoços. Há muitas marcas comercializando conservas lacto-fermentadas, procure por essas, buscando sempre as de boa qualidade. São ricas em probióticos e muito mais saudáveis para o organismo do que as tradicionais, que costumam ser cheias de vinagre, sal e conservantes.

Você pode também montar espetinhos frios e crus, alternando pedaços de tomate, azeitonas, folhas de manjericão e cubinhos de queijo. Ou servir, junto com os queijinhos cremosos, uma seleção de petiscos crus: pepino, cenoura e salsão em palitos, montados num copo com um pouquinho de sal grosso na base.

Mix de castanhas, frutas secas e amendoim torrado

As castanhas são saudáveis, ricas em gordura maravilhosa para o organismo e, se você comprar cruas, não contêm sal nem óleo adicionado. Aposte num mix de castanhas e tempere-as você mesmo. Aqui eu dei minha receita preferida do assunto, para você se inspirar. No entanto, pode usar o tempero que preferir, mais picante, mais herbal, o que achar melhor. Componha o mix com frutas secas variadas, como lascas de coco, damascos, tâmaras, etc.

E, vamos combinar, é difícil resistir àqueles amendoins torrados vendidos no saquinho, que alguns vendedores ambulantes ainda comercializam na rua (e nos estádios de futebol). Adivinha? Você pode preparar em casa também o seu amendoim torrado e temperado apenas com salmoura. Compre o amendoim cru, que é muito barato, e leve ao forno alto para torrar. Quando estiver soltando aquele cheirinho de tostado (cerca de 20 a 30 minutos depois), e as pelinhas vermelhas começarem a rachar, tire do forno, mexa bem e despeje sobre eles uma mistura de água e sal.

Para meio quilo de amendoim descascado, com pele, eu uso meia xícara de água e uma colher (sopa) rasa de sal. Mas ajuste a quantidade do condimento de acordo com seu paladar. Só não exagere no sal, porque, além de contribuir com a hipertensão, um amendoim salgado demais fica intragável. Deixe no forno por mais alguns minutos, até a água evaporar totalmente. Retire e deixe esfriar bem antes de guardar em recipiente bem fechado, com tampa.

Chips de batata doce, mandioca, mandioquinha e a amada pipoca

Quem não ama chips para acompanhar os drinques? Você pode fazê-los em casa também! Além das tradicionais batatas, use batata-doce, mandioca, mandioquinha… O importante é fazer fatias muito fininhas (o recomendável é usar um processador ou uma mandolina manual), deixá-las bem secas e fritá-las em óleo quente (veja aqui o post sobre os óleos mais saudáveis para frituras). Frite aos poucos, sem encher demais a frigideira, até ficarem douradas, e escorra bem o óleo em papel-absorvente. Tempere com sal e ervas finas só depois de fritas, para não perderem a crocância. Lembrem-se do episódio do Masterchef: não coloquem muita batata de uma vez, senão elas grudam, não fritam e ficam molengas. Se estiver evitando frituras, sem problemas: prepare seus chips no forno, assando-os em forno alto, com forma untada, regados com azeites e temperos.

Em alguns casos, como batata, batata-doce, mandioquinha, dá para manter a casca, sem problemas. Se assar, melhor não deixar as fatias tão finas, pois elas podem grudar demais. Para completar as coisinhas crocantes, faça um baldão de pipoca, petisco delicioso, rico em fibras, com pouquíssima gordura. Use um bom milho e estoure na panela, apenas com óleo de boa qualidade – evite as de micro-ondas, que podem ter muitos temperos artificiais. Eu gosto de estourar as pipocas com óleo de girassol, milho ou soja. Depois de prontas, adicione sal e outros condimentos e sirva bem quentinhas (pode até colocar uma manteiga em cima, fica divino).

Legumes assados e pastinhas para comer com pão

Nem preciso lembrar, mas um bom pão é incrível para complementar seus petiscos. Pode ser o tradicional pão francês, mas os italianos e os filões de fermentação natural não levam conservantes e, se forem integrais, melhor ainda, pois têm uma digestão mais lenta, ótimo para quem tem problemas com a glicemia. Para acompanhar os pães, pense em acompanhamentos como pastinhas variadas, como homus, patê cremoso de ricota e azeitonas, molho pesto de todos os tipos (manjericão, folha de cenoura, salsinha). Os patês típicos italianos, como sardella e alichela, também valem – só fique de olho no sal, porque, como levam aliche em conserva, algumas marcas e padarias artesanais podem exagerar na dose. Se puder fazer em casa, melhor.

A sardella tem mil receitas diferentes, mas a alichela é basicamente uma mistura de muita salsinha (use um maço todo, bem picadinho) com azeite ou outro óleo que preferir, uma pimenta dedo-de-moça picadinha, um dente de alho dourado no azeite, um filé de aliche em conserva, picado (lave antes em água corrente para diminuir o teor de sal e seque antes de usar na receita). Misture tudo, acerte o sal, se precisar, e seja feliz. Só um porém: é uma receita muito fresca, então dura pouco em geladeira, melhor comer tudo em até dois dias, no máximo.

Para complementar tudo isso, aposte também nos legumes assados. Você pode fazer um mix com vários deles: tiras finas de cenoura, pimentão, cebola, tomatinhos, alho inteiro (com casca), berinjela, abobrinha, muito azeite, uma pitada de sal grosso e ramos de alecrim. O alecrim e o alho perfumam muito a mistura. Deixe assar em forno médio, mexendo sempre, até os legumes ficarem bem macios. Você pode gratinar um pouco ao final do processo, para conseguir umas pontinhas chamuscadas. Pode servir quente ou frio, com o pão e torradinhas, ou ainda montar sobre as fatias de pão tostado, como se fossem brusquetas.

Batatinha temperada, como antigamente

Se você foi criança nos anos 1980, vai lembrar de um prato que tinha em toda festinha de criança (pelo menos na minha família, tinha sempre, era impressionante): batatas-bolinha inteiras, cozidas e temperadas, para comer com palitinho. Um clássico maravilhoso que nunca devia ter saído das nossas mesas. E tem muita cara de jogo de Copa do Mundo! Eu preparo a receita da minha mãe, com alguns adicionais. Basicamente, você vai precisar de um ou mais pacotes de batata bolinha (se tiver bastante gente, use um quilo, para começar). Lave bem as batatas, tire eventuais machucadinhos com a faca e cozinhe por cerca de 15 minutos, com casca e tudo, em água com sal.

Quando estiverem macias, mas sem desmanchar, escorra-as e tempere-as, ainda quentes, com uma cebola picada e um dente de alho picado, previamente refogados em bastante azeite e temperados com um pouquinho de sal e pimenta-do-reino. É importante picar os temperos finamente, para aderirem melhor às batatas. Misture bem e, com as batatas ainda quentes também, junte vinagre de boa qualidade ou suco de limão, pimenta-do-reino moída na hora, pedaços de azeitona preta e um bom punhado de salsinha e manjericão frescos, picados. Misture bem, corrija os temperos e sirva com palitinhos reutilizáveis ou de madeira (vamos pensar também na sustentabilidade, né?).

Para beber, troque o refrigerante por kombucha e chás gelados

Se quiser uma opção aos tradicionais refrigerantes, aposte nos chás gelados caseiros e também nos kombuchas, chás fermentados (dá para fazer em casa ou comprar pronto, tem alguns de ótima qualidade). São mais saudáveis, você controla o teor e o tipo de açúcar ou adoçante que irá utilizar e, no caso do kombucha, há as bolhinhas que lembram o refrigerante, com a vantagem de ser uma bebida riquíssima em probióticos, que auxiliam a preservar a saúde da microbiota intestinal. Para os chás gelados, inove no sabor fazendo misturas com frutas, ervas frescas e até flores.

O malvavisco é muito bom para infusões, pois deixa uma cor delicada. Gosto de usar também hibisco, que é refrescante e rende muito, misturado com manjericão. O chá preto ou mate são incríveis gelados, também, principalmente com frutas: limão, morango, laranja, carambola… Uso mel, melaço de cana ou açúcar orgânico para adoçar, mas você pode servir até puro ou com o tipo de adoçante que costuma usar. Não esqueça de preparar com antecedência, para resfriar bem antes de adicionar pedras de gelo e os complementos. Se preferir, bata no liquidificador, dá uma textura diferente.

Cerveja é cerveja, mesmo: prefira as artesanais e se jogue (com moderação)

Então, vamos falar de cerveja, a bebida onipresente nas celebrações brasileiras. Aqui, minha recomendação é: prefira as versões artesanais, feitas como se deve, sem conservantes e com ingredientes de boa qualidade. Além de ter um sabor muito melhor, você pode combinar com os amigos de cada um levar uma (pois são geralmente mais caras que a média) e, assim, fazerem uma degustação no dia. Acredito em uma visão de saúde que prevê momentos de alegria e confraternização à mesa, e isso pode incluir certas bebidas alcoólicas, se o grupo apreciar. Porém, recomendo sempre, claro, a moderação, porque o excesso causa, sim, ressaca, e ainda não inventaram antídoto nenhum contra isso.

Se você curte vinho, uma sugestão é fazer sangrias, usando uma bebida de boa qualidade, mas que não precisa ser carésima. Coloque o vinho, gelado, numa jarra bonita com frutas picadas (maçã, abacaxi, pera, rodelas de laranja e limão, ervas frescas) e muito gelo. Rende bastante, é uma delícia refrescante, tem os polifenóis do vinho (se for tinto), todos os benefícios das frutas e combinam demais com todos os petiscos que mencionei aqui. Vale até assar umas asinhas de frango, bem temperadas com limão, alho, sal e pimenta-do-reino, no forno médio-alto, com um fio mínimo de azeite. A pele das asas solta a gordura necessária para dourar e deixar o petisco bem crocante e dourado. Depois de assado, escorra o excesso de gordura em papel-absorvente e sirva com molhos frescos, como de tomate picante e iogurte com ervas.

Feito isso, "se joga nos jogos" (rá!) e curta muito com sua família e amigos. E me conte o que você preparou para ver a Copa em casa, vou adorar saber! Estou no Facebook e também no Instagram, segue lá.

Sobre a Autora

Luciana Mastrorosa é apaixonada por escrever, cozinhar e comer. Jornalista especializada em gastronomia e pesquisadora da área de alimentação, passou pelos principais veículos do país. Formada no Le Cordon Bleu Paris e Université de Reims Champagne-Ardenne, atualmente cursa o Mestrado em Nutrição Humana Aplicada, na Universidade de São Paulo. É autora do livro Pingado e Pão na Chapa - Histórias e Receitas de Café da Manhã (editora Memória Visual) e do e-book "Natal Feliz - 30 Receitas Incríveis para a Sua Ceia".

Sobre o Blog

Menu do Dia é o blog de culinária, receitas, gastronomia e nutrição, da jornalista e pesquisadora Luciana Mastrorosa. Aqui, você vai encontrar notícias, reflexões, receitas, degustações e muito mais sobre uma das melhores coisas da vida: comer.