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Par perfeito de peixes, endro é digestivo e ajuda a aliviar dor de estômago

Luciana Mastrorosa

13/08/2020 04h00

Crédito: iStock

O endro, também chamado de dill, é uma erva bem verde, de folhas fininhas e perfumadas, com aroma que lembra o do anis. Muito usada na culinária do norte da Europa, é um par perfeito para peixes, especialmente o salmão. Suas folhas se parecem muito com as folhas frescas da erva-doce, mas o sabor é bem diferente, marcante, herbal.

Em termos de nutrição, estudos apontam que o endro tem propriedades calmantes do sistema digestivo, ajudando a aliviar cólicas e dores de estômago, como no caso de quem tem gastrite. Refresca, fornece fibras, tem muitos minerais, como cálcio e fósforo, que protegem os ossos, magnésio, que participa de diversas funções metabólicas, e uma grande quantidade de potássio, que favorece os que têm hipertensão.

Apresenta também um elevado teor de carotenoides, que agem como antioxidantes e são precursores da vitamina A, que protege os olhos e a visão. Fornece ainda vitamina C, que atua contra o envelhecimento precoce, e folato, especial para quem é gestante ou está tentando engravidar, pois ajuda na formação do tubo neural do bebê.

A medicina popular usa o endro também para aliviar cólicas menstruais e dores em geral. Há os que fazem chá com as folhas ou sementes para melhorar a dor de cabeça.

Endro ou dill: como usar na cozinha

Em termos culinários, o endro pode ser usado de duas formas: aproveitando-se as folhas verdes frescas ou as sementes.

As folhas são especiais para temperar pescados. Há um prato nórdico chamado gravlax, que nada mais é do que um salmão curado com sal, açúcar, pimenta-do-reino, alguma bebida alcoólica (como a vodca) e bastante endro picado.

Existem diversas variações nessa receita, mas esses são elementos básicos que, junto com o tempo e sob temperatura fria, transformam o salmão numa "conserva", drenando o líquido e deixando a carne rosada mais dura, com uma textura diferente e agradável. Fica diferente de um sashimi, de sabor mais intenso, com sal na medida, mais firme na mordida. É uma forma antiga de manter o peixe bom para consumo por vários dias. Depois de pronto, é só cortar em lascas finas e servir com pão, um pouco de manteiga fresca, gotas de limão, creme azedo, mostarda… Fica ótimo também em sanduíches e saladas.

O sal, o açúcar, a pimenta e o endro atuam como agentes de cura naturais, evitando o desenvolvimento de micro-organismos patológicos. Mas é sempre bom ter o máximo de cuidado com a higiene e garantir que o peixe fique sempre em geladeira durante o processo.

Se quiser experimentar em casa, compre um filé de salmão de cerca de 1 kg, sem pele e sem as espinhas. Misture 1/4 de xícara (chá) de açúcar, 1/3 de xícara (chá) de sal grosso e 1/2 colher (sopa) de pimenta-do-reino branca, em grãos, triturada. Espalhe essa mistura sobre o filé de salmão e derrame a vodca por cima. Se não gostar da pimenta branca, pode usar os grãos de pimenta preta, mas o sabor fica mais intenso.

Abra um pedaço de filme plástico sobre uma superfície de vidro que acomode bem o salmão. Coloque metade do endro picado e ponha o filé sobre a erva. Cubra o salmão com o restante do endro, feche o filme plástico e aperte bem. Leve o salmão bem fechado à geladeira e deixe curar por 36 a 48 horas. Após esse tempo, remova o filme plástico, retire o excesso de tempero, lave o salmão em água corrente e seque-o bem com um pano muito limpo ou com folhas de papel-absorvente. Se quiser, adicione mais raminhos de endro fresco na hora de servir. Fatie o salmão em lascas bem finas. Depois de pronto, o gravlax se conserva bem na geladeira, colocado em recipiente fechado, por uma semana.

O endro também fica muito gostoso e traz um sabor refrescante a peixes assados ou grelhados, ou como parte integrante de um molho cítrico de saladas, feito com suco de limão, azeite de oliva, sal, pimenta-do-reino moída e as folhas de endro picadinhas.

As sementes são igualmente perfumadas, com aquele aroma anisado que lembra o da erva-doce, porém um pouco mais picantes. Ficam ótimas no preparo de pães (pode adicioná-las à massa ou triturá-las ligeiramente e polvilhá-las sobre o pão, antes de levá-lo ao forno). É uma delícia para fazer conservas de legumes, como a de pepinos pequeninos (cornichons) e minicebolas, ajudando a trazer um perfume e sabor especiais.

Você já provou endro ou dill? Gosta do sabor? Conte para mim como costuma usar essa erva. Estou no Instagram, me adicione por lá.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a Autora

Luciana Mastrorosa é apaixonada por escrever, cozinhar e comer. Jornalista especializada em gastronomia e pesquisadora da área de alimentação, passou pelos principais veículos do país. Formada no Le Cordon Bleu Paris e Université de Reims Champagne-Ardenne, atualmente cursa o Mestrado em Nutrição Humana Aplicada, na Universidade de São Paulo. É autora do livro Pingado e Pão na Chapa - Histórias e Receitas de Café da Manhã (editora Memória Visual) e do e-book "Natal Feliz - 30 Receitas Incríveis para a Sua Ceia".

Sobre o Blog

Menu do Dia é o blog de culinária, receitas, gastronomia e nutrição, da jornalista e pesquisadora Luciana Mastrorosa. Aqui, você vai encontrar notícias, reflexões, receitas, degustações e muito mais sobre uma das melhores coisas da vida: comer.